Top 5 Melhores Remakes de Hollywood

Os benefícios da “reciclagem”.

A razão que motivou este exercício não é, infelizmente, das melhores. Tenho, ao longo do último ano, assistido a uma das mais bizarras reações a um filme que ainda não tinha saído que alguma vez vi – o coordenado movimento de destruição prévia do novo “Ghostbusters”, de Paul Feig (que ainda não vi).

Por norma, não sou especialmente fã de pintar comunidades inteiras com a mesma trincha, mas não há nada a ganhar em esconder esta verdade desconfortável – esta comunidade geek/nerd em que eu tão orgulhosamente me incluo tem ainda muitos problemas a resolver com a sua misoginia.

Se é legítimo ter algo contra o trailer do novo “Ghostbusters”? Claro que sim. Eu não percebo bem o nível de ódio, mas cada um tem direito aos seus gostos. É, também, legítimo estarmos fartos de tantos remakes. O que não é legítimo é tentar fingir que a dimensão do ódio antecipado a este filme não está relacionado com o facto de se ter ousado fazê-lo com mulheres nos papéis principais.

Tem havido muita história revisionista sobre como a reação negativa vem de alguma espécie de desrespeito pelo material original e os seus autores, mas todas as histórias que relataram esses problemas só saíram bem depois da turba furiosa já estar reunida na praça central com os forcados na mão. Podem apresentar-me todas as vossas amigas “que sentem o mesmo e são mulheres!” que continua a não mudar a realidade geral: durante anos, foi muito difícil ser um rapaz nerd e sabe muito bem estar agora na mó de cima e sermos nós a enfiar a cabeça de outras vítimas indefesas na sanita. É muito triste.

Dito isso, decidi fazer este top para demonstrar que nem todos os remakes têm de representar a chegada do Anticristo e que se tem feito excelente cinema tendo como inspiração outros filmes. Escolhi aqui cinco filmes mas podia ter escolhido mais cinco ou dez e continuaria a ser uma lista cheia de excelentes marcos do melhor da Sétima Arte.

Uma última nota: o genial “Heat”, de Michael Mann teria tido lugar cativo nesta lista se não fosse o modo sui generis de como é um remake. Essencialmente, Mann fez, em 1989, um piloto para uma suposta série policial que, tendo sido rejeitado, acabou por ser reconvertido num filme para TV chamado “L. A. Takedown”. “Heat” é, tecnicamente, um remake feito pelo mesmo realizador desse filme, seis anos depois. Ainda assim, achei que seria esticar a definição e deixei-o de fora.

Sem mais demoras, segue a lista:

 

Vanilla Sky (2001)

[Original: De Olhos Abertos (1997)]

Remakes americanos de filmes do cinema europeu tendem a ser conhecidos por simplificar a história, tornando-a mais acessível a um público mainstream. Vanilla Sky é tudo menos isso. Cameron Crowe pegou na já contemplativa obra de Alejandro Amenábar e tornou-a uma reflexão (propositadamente) confusa sobre as nossas memórias e como o amor vive, ou não, dentro delas. Tudo neste filme, desde as suas reviravoltas narrativas à inspirada escolha de protagonistas como Tom Cruise ou Cameron Diaz, vive da subversão das nossas expectativas.

 

Ocean’s Eleven – Façam As Vossas Apostas (2001)

[Original: Os Onze de Oceano (1960)]

De todos nesta lista, este é provavelmente o filme que melhor reproduziu o espírito da obra original que se propôs recriar. Tal como no original com o “Rat Pack” de Sinatra, Dino e Sammy, o que temos aqui é um pedaço suculento de boa-disposição. Sim, há um assalto a um casino. Sim, é divertido ser surpreendido pelo modo como o conseguem fazer. Mas a verdadeira atração é passarmos duas horas como se fossemos o 12º elemento daquele grupo de amigos inseparáveis. Um daqueles filmes que nos congelam as tentativas de zapping.

 

The Departed – Entre Inimigos (2006)

[Original: Infiltrados (2002)]

A premissa, retirada do excelente original de Hong Kong, é simultaneamente simples e brilhante – uma luta de mentes entre um espião da máfia infiltrado na polícia e o seu inverso. Nas mãos de Scorsese, esta ideia cheia de sumo transforma-se num tratado de como equilibrar tensão dramática com momentos da mais pura e impecavelmente coreografada violência cinematográfica. Foi com este filme que Scorsese conseguiu finalmente o reconhecimento máximo da Academia. Veio tarde, é certo, mas veio bem.

 

A Mosca (1986)

[Original: A Mosca (1958)]

O original chega-nos das mãos do mais sumarento cinema série B da Hollywood dos anos 50, com o mestre do terror do Vincent Prince a dar-nos as boas-vindas. É uma referência inescapável para os fãs do género. Com o seu remake, David Cronenberg manteve a progressão perturbadora da transformação em insecto do incauto cientista que protagoniza a história e juntou-lhe uma dose de realismo gráfico bem ao estilo do “body horror” de que o realizador canadiano é tão fã. Jeff Goldblum tem aqui, também, um dos seus melhores papéis.

 

Veio Do Outro Mundo (1982)

[Original: A Ameaça (1951)]

Um dos melhores filmes da irrepreensível carreira de John Carpenter é um remake – ou antes, uma nova adaptação do mesmo livro, mas com claras inspirações retiradas do primeiro filme. Especificamente, um regresso a um filme clássico de Howard Hawks (apesar de não ter sido considerado o realizador “oficial”. Kurt Russell é o nosso ponto de entrada nesta intemporal história de suspeitas e mistérios, pontuada com momentos de quase insuportável tensão e alguns dos efeitos especiais de terror mais impressionantes da história do Cinema.

6 Comentários
  1. Miguel Teixeira 27/07/2016
  2. Pedro Quedas 27/07/2016
  3. Tobiansen 28/07/2016
  4. Pedro Quedas 28/07/2016
  5. Miguel Teixeira 29/07/2016
  6. Pedro Quedas 04/08/2016

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