Thor: Ragnarok

O Deus do Trovão deixa de lado a sua seriedade e consegue redimir o seu franchise.

 

Título original: Thor: Ragnarok (EUA – 2017)
Realizador:  Taika Waititi
Argumento: Eric Pearson, Craig Kyle e Christopher Yost (Baseado nas bandas desenhadas de: Stan Lee, Larry Lieber, Jack Kirby)
Protagonistas: Chris Hemsworth, Tom Hiddleston, Cate Blanchett

Acho que não existem muitas pessoas que considerariam Thor o seu Avenger favorito. Além de ter sempre sido um herói da segunda liga, cuja popularidade não se comparava à de outros heróis da Marvel como o Spider-Man e o Iron Man, os seus primeiros dois filmes estão sem dúvida entre os mais fracos daqueles que integram o novo MCU (Marvel Cinematic Universe). Nem mesmo toda a boa-pinta de Chris Hemsworth e o carisma de Anthony Hopkins conseguiram salvar Thor: The Dark World das críticas negativas e desaprovação dos fãs. Enquanto é verdade que o primeiro filme do deus do trovão não é de todo mau e tem bons momentos, é definitivamente menos memorável e impressionante que outros filmes solo dos Avengers.

Ainda assim, eu tenho as minhas razões para gostar do único super-herói entre os Avengers que ainda usa capa. A atitude à moda antiga e cavaleiresca sempre me pareceu uma referência a uma época em que os heróis eram menos complicados e moralmente cinzas, e os temas ao redor das suas aventuras sempre estiveram próximos do género da fantasia clássica. Então, fui decidido a dar mais uma oportunidade à Marvel de me impressionar. E Thor: Ragnarok definitivamente conseguiu fazê-lo.

Primeiramente tem de se apreciar o compromisso à estética estilo arcade dos anos 80, dos padrões de chips em technicolor à trilha sonora que parece saída do Tron, o filme mantém uma coerência visual que sem dúvida ajuda a compor um lindo espetáculo. Thor: The Dark World, foi, por vezes, acusado de se levar muito a sério para um filme sobre elfos do espaço lutando contra um deus escandinavo na Londres moderna, mas Thor: Ragnorok definitivamente não pode ser acusado do mesmo.

O filme é recheado de humor, e muitas vezes acerta em cheio no timing das suas piadas, mas também peca em fazer piada com muita frequência e nem sempre dar o espaço necessário para uma tensão dramática. Enquanto a história é mais sombria do que nunca em termos de enredo, o tom narrativo parece ser mais próximo do Guardians of the Galaxy com o seu humor um bocado pateta e atitude upbeat e aventureira, o que explica a dissonância entre um trailer que ameaça a destruição de Asgard nas garras da deusa da morte, e um póster que poderia ser a lateral de uma máquina da Atari há trinta anos atrás.

Outro problema também é que para um filme com o seu nome, o deus do trovão parece passar uma boa parte a ter de reajustar o seu ego à base de porrada. A postura à moda antiga e dignificada é atirada pela janela e, em vez disso, Thor comporta-se mais como um hooligan com boas intenções, e ainda assim, contracenando com Loki e Hulk, não é difícil parecer o mais civilizado em tela.

Apesar desses problemas, ainda acho que o filme é bom o bastante para redimir o deus nórdico do terrível Dark World, e vale a pena ser assistido. É interessante ver como a Marvel se tenta distanciar daquilo que não correu bem e trazer algo de novo sem descartar o protagonista. E, claro, o filme ganha uns pontos comigo por não incluir Robert Downey Jr. como Iron Man, já que começava a temer que ele se fosse tornar omnipresente no MCU depois de todo o tempo de tela e foco que teve no último filme do Spider-Man. Entre um elenco de peso que incluiu Jeff Goldblum, Cate Blanchett e Idris Elba, cenas de ação ao som de Led Zeppelin, e possíveis referências a Samurai Jack, Thor: Ragnarok definitivamente deve estar na lista de filmes da Marvel que valem a pena ser vistos na grande tela.

 

 

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