IT

Um filme de terror old school, IT é muito mais que um reboot.

 

Título original: IT (EUA, CAN – 2017)
Realizador: Andy Muschietti
Argumento: Cary Fukunaga, Chase Palmer, Gary Dauberman
Protagonistas: Bill Skarsgård, Jaeden Lieberher, Sophia Lillis

Depois do sucesso de Stranger Things na Netflix, não me pareceu surpreendente que os estúdios estivessem interessados em revisitar algumas das histórias que inspiraram a série, e quando ouvi dizer que um possível reboot de IT estaria em produção, pareceu-me apenas natural. Francamente, ainda acredito que vamos ver uma nova versão de Stand By Me dentro de um ano ou dois. Por isso, quando fui ao cinema, algo que normalmente não faço para filmes de terror, tinha pouca fé naquilo que estava prestes a ver e na sua habilidade de me impressionar com algo novo ou relevante. Eu estava errado.

IT não é apenas um reboot de um filme bem-sucedido dos anos 90, mas também um tributo a uma geração de cineastas e entusiastas do género.

Visualmente o filme é uma bonita quimera de clichês e técnicas do cinema atual, com grandes efeitos especiais, filtros e bela fotografia, e uma estética e tom narrativo de uma outra geração. Essa ponte entre estilos está bem conseguida, e eu arriscaria dizer que traz o melhor dos dois mundos, o novo e o nostálgico. E IT é um filme sobre dualidade, portanto essa mistura não me parece acidental.

Cenas divertidas e leves entre os protagonistas adolescentes são frequentemente interrompidas por cenas sombrias e tensas onde os seus medos se manifestam das mais diversas formas. E a narrativa põe em evidência os problemas mais mundanos que os protagonistas enfrentam no seu quotidiano, como pais hipocondríacos ou superprotetores e bullies, tanto quanto a ameaça sobrenatural que paira sobre a cidade.

O grande mérito do roteiro é conseguir contar todas essas histórias de uma maneira que parece preocupada com a psicologia dos personagens e não apenas em avançar com o filme. E nesse ponto, acho que a decisão de dividir o roteiro original em dois capítulos foi bem pensada. Talvez as motivações por trás tenham sido majoritariamente financeiras e não artísticas, mas ao contrário de algumas outras histórias (como o Hobbit), acho que aqui o filme se beneficiou do tempo extra para trabalhar com o desenvolvimento dos personagens. Resta ver se o segundo capítulo vai conseguir ser tão bom.

Stephen King escreve bem e os seus livros fazem, normalmente, bons filmes, mas ele tem de ser editado porque escreve coisas muito estranhas que não cabem no cinema. Algumas pessoas têm um problema com isso, mas isso deve-se talvez a serem puristas. Até porque as edições são decentes e salvam-nos de cenas indigestas (quem leu o livro sabe a que me refiro). E isto não é uma crítica a King, mas alguns temas não funcionam tão bem na tela quanto no papel e concessões devem ser feitas. Tendo dito isto, é sabido que Stephen King aprovou o novo reboot, o que nos leva a crer que ele entende a necessidade das adaptações feitas. E, na modesta opinião deste que vos escreve, IT é um filme que vale a pena ser visto, quer seja fã do género de terror ou não.

 

 

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