A Melissa é que manda aqui

As muitas faces de Melissa McCarthy



Quem não se lembra da adorável e cómica cozinheira de «Gilmore Girls»? Bem, os fãs desta série lembram-se com certeza de Sookie St. James (Melissa McCarthy), cujas iguarias consolaram Lorelai e Rory tantas vezes. Foi como Sookie que Melissa deu os seus primeiros passos na comédia, depois de anos a dar espectáculos de stand up e improvisação nos mais famosos bares de Nova Iorque. Mas foi quando foi convidada para protagonizar a divertida série «Mike & Molly» que o público fixou o nome de Melissa McCarthy.

Depois de a conhecer como Molly, a cómica gordinha que se apaixona numa reunião de comedores obsessivos, começámos a vê-la em quase todas as comédias de Hollywood. Rimos às gargalhadas com a sua interpretação da verdadeira maria-rapaz em «A Melhor Despedida de Solteira» (2011), ao lado de Kristen Wiig; com a agente mais fora-da-lei em «Armadas e Perigosas» (2013); ou com a analista de FBI, assistente dedicada e apaixonada de Jude Law, em «Spy» (2015). Mestre em humor físico e de improviso, os filmes em que Melissa tem entrado podem não ter argumentos brilhantes, mas o seu nome no elenco é garantia para umas boas gargalhadas, pois todas as personagens que interpreta levam o seu cunho pessoal.

Alguns críticos dizem que Melissa é apenas cómica por ser gordinha e se aproveitar disso – é sempre engraçado ver um gordinho a cair – , mas é óbvio que Melissa é mais do que uma figura roliça que aceita protagonizar as situações mais humilhantes para gordinhos. Prova disso é o melodrama cómico «Tammy» (2014), em que além das gag scenes, Melissa interpreta também boas cenas de drama, ao lado da incontornável Susan Sarandon.

Este ano, Melissa resgatou uma das suas personagens dos seus tempos de stand up para nos fazer rir novamente. Em «A Chefe» (2016), que escreveu e produziu juntamente com o marido, Ben Falcone (também comediante), conhecemos Michelle Darnell, empresária e magnata arrogante, uma espécie de Donald Trump no feminino. Quando Michelle é presa por crimes financeiros, tem de recorrer à sua humilde assistente, Claire (Kristen Bell), para não ficar a dormir ao relento com a sua mala da Louis Vuitton. Como é imagem de marca desta atriz, Melissa transfigura-se completamente como Michelle, até nos esquecermos que ela já foi Sookie, Molly, Tammy e tantas outras personagens, tão diferentes.

Previsível e linear, a história de «A Chefe» não é tão forte como a sua protagonista, como aliás acontece com muitos dos seus filmes. Contudo, apesar de não arriscar mais do que uma típica comédia sobre vigaristas e ‘white collar crimes’, consegue divertir e fazer rir, que é afinal apenas o que Melissa procura: a nossa melhor e mais sonora gargalhada.

Esperamos agora por vê-la em «Caça-Fantasmas», ao lado de outros vultos da comédia dos nossos tempos como Kristen Wiig ou Kate McKinnon (Saturday Night Live), no remake na versão feminina já nas salas de cinema e cujo trailer teve a maior quantidade de ‘dislikes’ de sempre no YouTube… Será que as antevisões mais pessimistas terão razão? Vamos esperar para ver.

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